Entre se perder e outras coisas..

“Ontem tomei um táxi e me distraí tanto olhando pela janela que no meio do caminho estendi a mão para o banco vazio do lado querendo pegar na tua mão. Tô com saudade.”

(Correspondência - Caio Fernando Abreu)

Não poder explicar tais coisas tornou-se mais constante. Olhar perdido, pro vazio. Chega a ponto de cutucões para acordar ao relento, de um vento que nem havia. Mas sentia. Sentia a brisa, de olhos fechados, como se ela existisse. E olhava o céu, e via estrelas, ás vezes a lua. E era sempre cheia. Ao lado das mil estrelas, que passavam de mil se quisesse contar. Nunca queria, perdia-se na metade, estava amando. Amava até o fim, sem querer. O coração, que voltou a bater, segura por vezes dentro do peito, para não bater descontrolado, acelerado num descompasso do que sabe ser a nota perfeita, de uma música agitada, que agora sente. Sente como não imaginava que voltaria a sentir. Mas a nota agora é mais forte, a ponto de tirar o fôlego. Encanta. E o sorriso, passou a ser bobo, sem saber porque, ainda perdido nos olhares mais inquietos, procurando respostas de como aquilo tudo foi acontecer tão rápido. Tão rápido. E aconteceu. E agora? Não pode mais se perder. Ainda tem medo. Não quer música triste. Olha o chão, fecha as mãos, segura firme, na hora que mais quer abraçar forte. Quer o controle que nunca teve. Não quer assustar; ás vezes o faz. Já tropeçou tantas vezes, na sede de provar o que está nos olhos. Olhos que brilham, junto com o coração.

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