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Mostrando postagens de outubro, 2012

é como se

Não é como se tivesse acabado. Ou como se alguém perdesse a vida. Nem ao menos se parece com um velório. Não é o fim do mundo. E o mundo, definitivamente, não vai parar. A vida vai seguir. Os caminhos ainda estão ai, para serem percorridos. Não é? Sempre vai ficar tudo bem, no final das contas. Vai dar tudo certo. Não vai? Claro que vai. É só.. é como se um dia, houvesse alguma chance, pensava. Dos caminhos se cruzarem. Mas aí.. colocou uma pedra no caminho, pra isso nunca acontecer. Entende? É como se.. houvesse agora, um nunca mais.

sabe que sim

Não se ama porque deve. Não se ama pelos agrados e desfechos. Nem pelos sorrisos depositados. Não se ama pelas lágrimas secas nem pelas mãos quentes. Não se ama por favor, nem muito obrigado. Não se ama "eu também". Não se ama porque. Porque isso, porque aquilo. Não se ama de volta. Até ama, mas não só por isso. Se ama por tudo isso. Se ama com um contentamento descontente. Mas, acima de tudo, se ama sabe-se lá porque. A gente só sabe que sente.

você partiu

Coração sente, tirei prova. Quase prova de fogo, de queimar e tudo. Cutuquei. Mas porque coração sente. O cheiro da manhã era cheiro de noite. Teve café, mas não tinha cheiro. Era cheiro de chuva, de lágrima. Choveu a manhã toda, você viu? Até o dia acordou tristonho. Até o dia sabia da gente. Adivinhou a partida, porque até o dia sente. No meio do dia, palpitou. Facadinha de leve mas doeu. Enfiaram com tudo! A faca rasgou. Coração pulou, e aí.. parou. Assim, de repente  Você sentiu? Senti aqui, porque doeu. Deve ser isso então, aquelas dores que a vó conta, que a gente carrega com a gente.

tem inteira

Se toca. Percebe o que é isso? Tanto sentimento é puro medo. Medo de deixar ir o que não teve. Porque a gente não tem. Se têm, tá errado, porque não têm. Vê se pode! Não tem. Mas tem medo. Tá vendo tudo ir embora e partir. Partiu pra outra. Tem coisa nova. Um cheiro novo de perfume, talvez. Novas risadas sei que tem. Isso tem. Mas o que não teve, tá indo. Virou pó de lembrança. Só pó, porque lembrança inteira, é saudade. E isso não tem.. ou tem? Eu tenho. Fernanda Leonel
"Se ela te fala assim, com tantos rodeios, é pra te seduzir e te ver buscando o sentido daquilo que você ouviria displicentemente. Se ela te fosse direta, você a rejeitaria."

último romance

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Será que a gente vive de amor, sem ter, assim, pertinho, o amor em si? Amar, assim, de sentir, mas sentir só no coração? Sem ter pele, sem ter tato, sem ter carinho. Só sentir, pianinho, bem mansinho, no fundinho. Escondido do mundo. Deve ser loucura só amar, sem ter amor. Mas se tem, ama demais! Ai, ama. Ama sim, cada dia que você acha menos, acho mais. Mais amor. Já basta. Basta de amores, de romances. Já ama demais o que teve. E basta. Porque carrega no coração esse amor todo, que é tão grande, que ocupa todo o coração e aí.. não cabe mais. Mais romance, mais amores, não cabe. Acho até então, até hoje.. talvez só hoje. Mas é hoje que acho, que já deu. Já tive meu último romance.
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Se é possível morrer sufocado com palavras, eu não sei. Sinto como se todas elas ficassem presas na garganta toda vez que essas coisas acontecem. E de tanto ouvir que o silêncio é o melhor caminho, acabo engolindo, no seco, todas elas. Nem uma vodca faz elas descerem melhor. E a real é.. já que o silêncio é o caminho.. fico aqui, com meu silêncio. Talvez não haja nada mais que se possa dizer.

assim como é

Aceita assim, como é. E seja. Seja como for, se romance não quer, não tem amor. Pois todo amor tem história. De tragédia lírica a poesia chata. Que vira teatro se pesa na rima. Vira drama se pesa na lágrima. Mas vira música se abusa de beijo. E de abraço. E de surpresa. Aprende então, que príncipe não há. Nem princesa também. E que se tem beijo de despertar, vem linha depois. Que pode ter fim, pode não ter. Nossa história não tem rima, não é poesia, não virou música. Pesou na tragédia, abusou da lágrima. E essa acabou. Mas tem linha depois, pra outra história. Pode ser nossa, ou não.