Hoje eu não quis abrir o olho. Desejei não levantar nunca mais. E se fosse pra fazê-lo, que fosse como um sonho. Queria acordar numa nuvem rosa. E ela seria quentinha e aconchegante, como um abraço de mãe. E tivesse cheio de tutti fritti. E amo cheiro de tutti frutti. Não aconteceu. Nem a nuvem, nem o ar quente, nem o cheiro.
Eu me dei mais uma chance. Arriscar nunca é demais. Do poço que eu estava, cavei mais fundo. Bati no fundo de vez. Foi como um grito ardido, um choro de criança, uma unha sendo arrastada por um quadro negro. Uma dor insuportável. Ainda estou anestesiada. Perdida. Desnorteada.
Amanhã eu vou rezar mais uma vez, pra acordar na nuvem quentinha e cheirosa. Até o dia que eu não mais acordar.

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